L.I.B.E.R.A.T.I.N.G
Exercício de Escrita Visual – O Olho Humano
Henri Bergson (Prémio Nobel da Literatura, 1859-1941)
Caligrafia GordoLetters
Um olho e uma
mama. Ou a ilustração sobreposta de um
palácio árabe virado do avesso. Refiro-me à fusão das imagens visuais nos meus
olhos e à excitação que funde as imagens mais significativas. Sobranceira ao
olho, a sobrancelha que fita aquela/e à sua frente. Inevitavelmente a excitação
no córtex visual ausenta-se, comprometida pela mama de bico bicudo e pelo
oleado, que dita o caminho para lá da folha. As camadas neuronais do corpo são velozes
e adiantam-se às dela/e, fazem-na/o tropeçar e intriga-a/o o seu olhar
carregado e tenebroso.
Mãe-Luz. É
a luz invisível que ali se depara ou espectro eletromagnético detetado pelo
olho humano. A senhora espiga que observo no quadro ao lado comemora sozinha o
advento próximo do sol. Os braços são ondas de luz natural; a cabeleira três
raios solares e o torso uma manta grossa de algodão. Esta figura, tão serena e
esguia, aparenta uma mulher de meia-idade algarvia. Com o passar do tempo, as
suas pernas tornaram-se estaca e, como um espantalho, a mulher espiga, ou a mãe-luz,
espanta as sombras que lhe tapam o sol.
Estrabismo. Sofre de estrabismo horizontal a pobre criatura. É género
raro que consiste na falta de fusão adequada ao eixo visual dos olhos em uma ou
mais coordenadas visuais. No seu caso, o olho esquerdo torto que viaja pelo
deserto com uma mala de viagem e dois binóculos de visão noturna. Não pediu
licença para partir. Partiu e pronto.
Durante a leitura. Quando
lemos são os olhos que correm e não as letras. Mas ele não lê, observa.
Movimenta os olhos três vezes por segundo extraindo a informação importante do
quadro. Ao observar a pintura, num quadro qualquer exposto na parede branca de
contraplacado em frente, o beicinho das mãos não se atreve a dar nem mais um
passo. Está há horas ali especado. Um ângulo de leitura e assim por diante…
Porque movimentamos os olhos três vezes por segundo, cem mil vezes por dia.
Olho reprimido. Falo quando o olho direito é usado o tempo todo e o esquerdo deixado ao abandono
num canto. O olho dominante, conectado diretamente ao sistema nervoso, pratica
já sem acuidade visual o voo experimental em busca de alimento. Mas este nem
sempre é bem-sucedido. A ave velha, de asas pesadas e pupila preta, não voa
mais.
O olho e o cérebro. Ou a rede complexa que nos possibilita assimilar o que se passa à nossa volta. Vejo e perceciono a completa integridade de ambos quando vejo e reconheço ao lado o ninho de flamingos bebés que debicam o ar esganados de fome. A impressão sensorial que primeiro ocorre no olho e que depois é reconhecida pelo cérebro.




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