Siderada por esta imagem, não é capaz de responder às perguntas delas; as mulheres, de resto, não estão à espera disso e, cada vez mais embriagadas, voltam às suas tagarelices que deixam Irena de parte. Ela vê as suas bocas que se abrem todas ao mesmo tempo, bocas que se mexem, que emitem palavras e rebentam de riso sem parar (mistério: como é que as mulheres que não se ouvem se podem rir do que dizem umas às outras?). Já nenhuma se dirige a Irena, mas esplendem todas de bom humor, a mulher que no início mandou vir cerveja põe-se a cantar, as outras fazem o mesmo e, até depois de acabado o serão, na rua, não páram de cantar.
Milan Kundera, in "A Ignorância"
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