"Refugio-me, aliás, quase sempre nos mesmos livros, no fundo, um número pequeno, o dos livros para mim já comprovados. Talvez não faça parte da minha maneira de ser ler muitas coisas e muito diversas: uma sala de leitura põe-me doente.", Nietzsche

quinta-feira, abril 26, 2012


WASABI

William Faulkner (A Cidade) sobre Ernest Hemingway (Por Quem os Sinos Dobram):

“Ele nunca sequer pensou em usar uma palavra que pudesse mandar o leitor para um dicionário.”

Ernest Hemingway sobre William Faulkner

“Pobre Faulkner. Ele realmente pensa que grandes emoções vem de grandes palavras?”



terça-feira, abril 24, 2012

El sueño

Si el sueño fuera (como dicen) una
tregua, un puro reposo de la mente,
¿por qué, si te despiertan bruscamente,
sientes que te han robado una fortuna?

¿Por qué es tan triste madrugar? La hora
nos despoja de un don inconcebible,
tan íntimo que sólo es traducible
en un sopor que la vigilia dora

de sueños, que bien pueden ser reflejos
truncos de los tesoros de la sombra,
de un orbe intemporal que no se nombra

y que el día deforma en sus espejos.
¿Quién serás esta noche en el oscuro
sueño, del otro lado de su muro?

Jorge Luís Borges

segunda-feira, abril 23, 2012



“Truly fine poetry must be read aloud. A good poem does not allow itself to be read in a low voice or silently. If we can read it silently, it is not a valid poem: a poem demands pronunciation. Poetry always remembers that it was an oral art before it was a written art. It remembers that it was first song.”


Jorge Luis Borges

http://thehumanities.com/2011/01/26/the-unknown-jorge-luis-borges/

quinta-feira, abril 19, 2012

Sobre o "Trópico de Câncer"



"O efeito da censura sobre aquele meu título, interditando, como é óbvio, a sua difusão, transformou-o numa obra clandestina - e se a venda registou dificuldades, a verdade é que também semelhante obstáculo, através da recomendação oral, lhe assegurou a maior publicidade. É susceptível de ser encontrado nas bibliotecas de quase todos os colégios de nomeada, os professores recomendam-no muitas vezes aos estudantes - e, pouco a pouco, colocou-se a par de outras obras literárias célebres, as quais, anteriormente interditas e perseguidas, são hoje tidas como clássicas. O meu livro agrada particularmente aos jovens e de maneira nenhuma (apoiando-me no que apuro directa ou indirectamente) os não deixou por terra, afectando-lhes a vida, mas antes pelo contrário, lhes reforçou a moral. Numa palavra: este livro é prova evidente de que a censura se condena a si própria. Ou ainda: o facto em questão (isto é, o meu livro) mais uma vez demonstra que os únicos que se podem dizer protegidos pela censura são unicamente os próprios censores - e isso simplesmente devido a uma lei natural bem conhecida por todos quantos lhe não podem resistir."

IN "Obscenidade e reflexão", de Henry Miller

quarta-feira, abril 18, 2012

Henry David Thoreau

(excerto de um livro escrito em 1854)

ONDE VIVI E PARA QUE VIVI

"O gosto infantil e selvagem dos homens e mulheres por novos modelos conduz a diversos meneios e estrabismos através de caleidoscópios, para se descobrir a particular figura que esta geração deseja nos dias de hoje. Os fabricantes compreenderam que este gosto é um mero capricho. De dois modelos que diferem em apenas certos fios de uma cor particular, um deles será vendido de imediato e o outro permanecerá na prateleira, apesar de ocorrer com frequência que, depois de lapso de uma estação, o segundo fique mais tarde muito mais na moda. Comparativamente, a tatuagem não é o hábito horrendo que por vezes se considera. Não é bárbaro apenas porque a gravação é feita à superfície da pele e é inalterável.
Não sou capaz de acreditar que o nosso sistema de produção é o melhor modo através do qual os homens têm acesso à roupa. A condição dos operários está a tornar-se, a cada dia que passa, mais semelhante à dos operários ingleses, o que não é de estranhar, já que, por tudo o que tenho ouvido ou visto, o principal objectivo não é que a humanidade possa apresentar-se bem vestida e de forma honesta, mas sim, inquestionavelmente, que as corporações possam enriquecer. Os homens alcançam, a longo prazo, somente aquilo que ambicionam. Assim sendo, apesar de, a curto prazo, poderem falhar, fariam melhor se almejassem algo num patamar mais elevado".

Henry David Thoreau (Concord, Massachusetts, 1817 - 1862)

segunda-feira, abril 09, 2012

Gallery Beyond Calligraphy


水 (みず, mizu, i.e. “water”)
水 (みず, mizu, i.e. “water”), semi cursive style (行書, ぎょうしょ, gyōsho) of the character “water”, emphasising its supple and nourishing nature, but at the same time its unpredictable powers. Ink on paper, calligraphy by Ponte Ryūrui (品天龍涙).

Porque voa sempre uma mosca no quarto ao lado



Investigou-a pelo canto do olho e num gesto de repulsa cuspiu para o chão. O olhar dele era de desdém. Alguém roubara-lhe o pito e com certeza que fora aquela criatura de falinhas mansas que desatina facilmente e que o apunhala pelas costas num ápice se assim for caso disso. Isto dito pelos elegantes elefantes que caminham à minha frente, pela frase adentro, de trombas dadas ao encalce da estrada de pedra que vai dar ao pontão situado na extremidade norte da folha minha. Estilhaçam-me a escrita, fazem-na partir-se e emergir sobre uma sopa de letras que não apazigua a santa que me observa complacentemente do tocador. O véu que me desvenda o rosto e a negritude dos olhos dela é o petróleo que me emociona e não mais me atemoriza. As palavras que escrevo estão lá à frente, sempre um passo mais à frente, cochichando as letras mais à frente até a gata chamar-lhes à razão. Fita-as sem amargura. Conhece-as mas assim muito pouco. Creio na sinceridade das palavras e sigo em marcha em prol de forças maiores, da minha e da vontade dos outros pois sem eles não seria nada ou pouco seria ou a relação do nada que ignora o cúmulo de se precisar de alguém, quanto mais se não for para pensar. Se quer a mosca voar livremente pelo quarto, deixa-a voar.

segunda-feira, abril 02, 2012