"O efeito da censura sobre aquele meu título, interditando, como é óbvio, a sua difusão, transformou-o numa obra clandestina - e se a venda registou dificuldades, a verdade é que também semelhante obstáculo, através da recomendação oral, lhe assegurou a maior publicidade. É susceptível de ser encontrado nas bibliotecas de quase todos os colégios de nomeada, os professores recomendam-no muitas vezes aos estudantes - e, pouco a pouco, colocou-se a par de outras obras literárias célebres, as quais, anteriormente interditas e perseguidas, são hoje tidas como clássicas. O meu livro agrada particularmente aos jovens e de maneira nenhuma (apoiando-me no que apuro directa ou indirectamente) os não deixou por terra, afectando-lhes a vida, mas antes pelo contrário, lhes reforçou a moral. Numa palavra: este livro é prova evidente de que a censura se condena a si própria. Ou ainda: o facto em questão (isto é, o meu livro) mais uma vez demonstra que os únicos que se podem dizer protegidos pela censura são unicamente os próprios censores - e isso simplesmente devido a uma lei natural bem conhecida por todos quantos lhe não podem resistir."
IN "Obscenidade e reflexão", de Henry Miller

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