"Refugio-me, aliás, quase sempre nos mesmos livros, no fundo, um número pequeno, o dos livros para mim já comprovados. Talvez não faça parte da minha maneira de ser ler muitas coisas e muito diversas: uma sala de leitura põe-me doente.", Nietzsche

quarta-feira, abril 18, 2012

(excerto de um livro escrito em 1854)

ONDE VIVI E PARA QUE VIVI

"O gosto infantil e selvagem dos homens e mulheres por novos modelos conduz a diversos meneios e estrabismos através de caleidoscópios, para se descobrir a particular figura que esta geração deseja nos dias de hoje. Os fabricantes compreenderam que este gosto é um mero capricho. De dois modelos que diferem em apenas certos fios de uma cor particular, um deles será vendido de imediato e o outro permanecerá na prateleira, apesar de ocorrer com frequência que, depois de lapso de uma estação, o segundo fique mais tarde muito mais na moda. Comparativamente, a tatuagem não é o hábito horrendo que por vezes se considera. Não é bárbaro apenas porque a gravação é feita à superfície da pele e é inalterável.
Não sou capaz de acreditar que o nosso sistema de produção é o melhor modo através do qual os homens têm acesso à roupa. A condição dos operários está a tornar-se, a cada dia que passa, mais semelhante à dos operários ingleses, o que não é de estranhar, já que, por tudo o que tenho ouvido ou visto, o principal objectivo não é que a humanidade possa apresentar-se bem vestida e de forma honesta, mas sim, inquestionavelmente, que as corporações possam enriquecer. Os homens alcançam, a longo prazo, somente aquilo que ambicionam. Assim sendo, apesar de, a curto prazo, poderem falhar, fariam melhor se almejassem algo num patamar mais elevado".

Henry David Thoreau (Concord, Massachusetts, 1817 - 1862)

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