"Refugio-me, aliás, quase sempre nos mesmos livros, no fundo, um número pequeno, o dos livros para mim já comprovados. Talvez não faça parte da minha maneira de ser ler muitas coisas e muito diversas: uma sala de leitura põe-me doente.", Nietzsche

terça-feira, novembro 16, 2010

As garças

O jardim parecia envolto num nevoeiro húmido que se entranhava perversamente na pele e encobria os passos ociosos de um gato persa de pêlo azul-cobalto. Por momentos, a cauda serpenteante do animal parecia tomar a forma de um pénis astuto, sacudindo lentamente o fumo que cinzelava o rosto das duas amantes.
Escondido atrás de um biombo de cor acre, desenhado à mão, Kabir sentia uma inebriante sensação de prazer atravessar-lhe o corpo ao mirar as duas mulheres que consumiam ópio numa exuberante chaise-longue verde abacate. Os seus lábios juntavam-se em beijos sôfregos e prolongados. Dera-lhes o nome de Langa e Lien.
Começava a sentir a libido brotar dentro de si ao ver as pernas de Langa, reveladas por um diáfano quimono de seda pérola, abrirem-se delicadamente como as asas de uma garça, enquanto Lien lhe lambia demoradamente os seios redondos. O jovem mirava atento, acompanhando o movimento da mão que descia pelo ventre liso de Langa, até alcançar o clítoris. E nisto, o samba dos dedos tomou balanço, ora de cima para baixo, ora num movimento circular, apoiando-se sobre a vulva carnuda e humedecida.
Gradualmente, os néctares vaginais levemente aromatizados a citrinos intensificaram-se, foram pronunciadas palavras de volúpia, os dedos molhados de saliva escorregavam à volta dos mamilos, que respondiam enrijecendo. Um desejo carnal exasperante apoderou-se de Kabir quando Langa começou roçar o curto cabelo âmbar entre as coxas de Lien, arranhando-lhe os lábios e provocando-lhe vagas de prazer até que a tensão rebentou em mil gemidos e suspiros, conduzindo ao cume do prazer.
Kabir despertou num impulso, asfixiado. Abriu os olhos e viu-se de braços abertos, com os dedos cravados nos lençóis de cetim e as pontas dos pés curvadas. Os testículos elevaram-se, anunciando a eminência do orgasmo e o corpo, atormentado por uma pressão violenta, libertou-se numa explosão íntima de prazer. Lentamente a serenidade impôs-se e os músculos do corpo baixaram a guarda. O alívio era agora pleno.

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