"Refugio-me, aliás, quase sempre nos mesmos livros, no fundo, um número pequeno, o dos livros para mim já comprovados. Talvez não faça parte da minha maneira de ser ler muitas coisas e muito diversas: uma sala de leitura põe-me doente.", Nietzsche

terça-feira, novembro 09, 2010

«Sê verdadeiro»

Era uma tarde de Fevereiro
Sem açucar no açucareiro
Pescavam tantas toneladas de arreiro
Chiça! Que mau cheiro alcoviteiro

Suplicou ao santo padroeiro
Para que a chuva não trouxesse o nateiro
E não lhe afogasse o pobre do carneiro
Que pasta livre as relvas do carreiro

Mas o santo padroeiro
arrieiro arteiro
ignorava-o de modo grosseiro
Pois era filho de terceiro
Pobre inútil, tornado rafeiro

E o homem dizia: «sou filho de um vendedor careiro,
Que trabalhava aos sábados no Barreiro,
Dando milho à boca do touro vareiro
E chuto tão pouco dinheiro
Por isso assassinei meu irmão, o herdeiro
Não me lembro se com uma faca ou um tiro certeiro
E ao querer fazer de mim guerreiro
Tornei-me de mim prisineiro
Só me resta pegar no isqueiro,
Algures no bolso, solteiro
E com um toque gesticular ligeiro
Acender o cigarro de um marinheiro
Que um dia me disse «sê verdadeiro»

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