"Refugio-me, aliás, quase sempre nos mesmos livros, no fundo, um número pequeno, o dos livros para mim já comprovados. Talvez não faça parte da minha maneira de ser ler muitas coisas e muito diversas: uma sala de leitura põe-me doente.", Nietzsche

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Traças

(Ao final da noite na garagem)

Mário – Mas existe um bicho do papel... Uma coisinha pequenina.


David - Opaaaah...


Mário - Assim com bueda patinhas. Ah! As traças?!


David - Ainn caraças! Tu hoje não serves mesmo para nada. Mário afasta-te desta conversa...


Gordo - Mas quais traças Mário!


Mário - São traças. São bichos com bueda patinhas, tipooo prateados.


Gordo - Pah, à tempos estava a falar com uma gaja sobre tatuagem bueda burra. Sabem aquela cena da Prova do Tubo. "Qual é... Como é que se chama a profissão dos gajos..."


David - Astronauta.


Gordo - Ya. Não. Isso é o que ela diz... "Como é que se chamam as cavidades órbitas ou qual é o órgão que está na cavidade" e ela... astronauta... (RISOS) Tive uma cena assim com uma chavala lá na loja. O que é que foi? Não me lembro.

(SILÊNCIO)

Mário - (que entretanto desenhou o bicho num papel) São estes bichos assim prateados? Estes são a traça do papel.


David - Ya é tipo isso.


Mário - Pois, são as traças de papel!


Gordo - (a bocejar) É o bicho do papel.


Mário - Eu tenho o armazém cheio dessa merda.


Gordo - Ya mas isso são os teus pais que chamam a isso a traça do papel.


Mário - Mas são mesmo traças...


Gordo - À tráçáaa...


Mário - Às vezes também estão na roupa.


Gordo - Isso são traças. Tenho bué em casa. Não sei porquê mas sempre que as vejo é na casa de banho. A minha mãe tem para lá a caixa de cartão do Skip e o papel higiénico. Mais nada!


Mário - Na loja não há traças?


Gordo - Na loja há algumas.


Mário - Eu encontro-as sempre nos livros.


Gordo - (a cantar) Hoje à noiteee.... vou ficar! Em casaaaaa... Ficar!

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