"Refugio-me, aliás, quase sempre nos mesmos livros, no fundo, um número pequeno, o dos livros para mim já comprovados. Talvez não faça parte da minha maneira de ser ler muitas coisas e muito diversas: uma sala de leitura põe-me doente.", Nietzsche

quinta-feira, março 01, 2012

"O trabalho do escritor é excluir o que não quer contar"



Separar verdade e mentira é ficção?

É uma contraposição irreal. A verdade não existe. Inclusive a noção de quem somos - não que seja mentira no sentido de falsidade - é a soma de lendas, contos e das nossas respostas aos contos que, por sua vez, também são um conto...

E há a memória, outra mentira...

Até há poucos anos era fonte de especulação literária e filosófica, mas hoje é uma verdade científica: para o cérebro é o mesmo uma coisa recordada e uma coisa inventada. Em muitos casos, quase tudo o que é recordado é, senão uma invenção, pelo menos uma reinterpretação de uma recordação. Provavelmente a literatura existe por estarmos sempre a reinterpretar memórias.

Excerto de uma entrevista a Enrique de Hériz, autor do livro "Mentira"

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