No céu cavalos brancos de pernas longas lutam exaustivamente com o vício que lhes aponta o dedo. Ouve-se o sopro de um homem que se ergueu nu no topo de um relógio, segurando na mão uma cruz de madeira. Luísa está no centro do altar presa a uma criatura miúda e frágil com orelhas entrançadas e seios minguados que veste um traje medieval com uma corda atada à cintura. Verte no copo línguas de uvas pisadas e junta as mãos em sinal de oração. No cimo, um caixão dourado, reluzente, com duas cabeças tortas dentro e a palavra «imortalidade» inscrita num dos lados do caixão. Da sombra assoma uma linda mão de mulher que lhe esmaga o crânio até este dar sumo.
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