a lontra e os monges
Queriam comer-me a cartilagem aqueles monges safados que no outro dia se atravessaram no meu caminho. Visitei o mar nessa manhã. Sentei-me na areia e abri os braços à lontra que corria gorda e com um herpes no lábio na minha direcção. Mas quando olhei para trás e vi a minha cidade dentro de um cortiço em forma de estômago assustei-me. Parecia apertada e ofereci-lhe um sopro. Agradeceu-me e virou sapo e fugiu. Quando me virei, a lontra ia longe e o mar soltava vagas tristes.
Não me lembro de acordar nessa manhã, nem de adormecer no dia anterior. Mas tenho a vaga ideia de me ter esquecido do casaco em casa e como estava frio resolvi pedir o pêlo de um gato vadio emprestado. Mas só de pensar naqueles sacanas tenho vontade de caçar o dromedário aprumado que passeia junto a mim com uma boina turca sobre a bossa. Não me falou... é verdade... e por pouco que os seus cascos maçudos não me fazem mossa na cabeça, e apagam os monges que me quiseram trincar a cartilagem.
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